Dear Diary – Uma amizade que não me faz bem.

Eu cansei, sabe? Cansei dos dramas, cansei de me sentir culpada por uma coisa que eu não fiz. Assim como você, eu também tenho um monte de problemas pra resolver, assim como você eu tenho preocupações, mas uma coisa que eu não sou como você, que eu não faço como você, é achar que o meu problema é o maior do mundo, o mais complicado de se resolver ou até impossível. Não fico diminuindo os outros pra me sentir melhor, não fico me fazendo de coitada, não inverto histórias sobre coisas que aconteceram só pra “sair por cima”. Não, eu não faço isso. Mas você fez, e fez comigo, fez com um monte de gente, e então quando essas pessoas ficavam bravas com você, quem era que tinha que escutar que “Meu mundo não é mais cor de rosa” ou “Ninguém liga pra mim”? Eu. Continuar lendo

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Dear Diary – Se meus olhos fotografassem

Isso foi e ainda é uma coisa que eu sempre quis, se eu pudesse ter um superpoder, seria esse. Imagina como seria se você pudesse capturar um momento qualquer que tenha te marcado e pudesse transformá-lo em uma foto sem precisar de uma câmera?! Já pensou se pudéssemos mandar esse momento por telepatia para uma impressora? Eu já!

Eu já quis que isso fosse verdade milhares e milhares de vezes, perdi muitos momentos ótimos por que estava sem uma câmera para fotografar aquilo. Como o momento em que o meu primo autista de 10 anos olha pra mim e sorri. Ai como eu queria que isso se transformasse em fotografia. Ou quando a lua está tão linda, mas tão linda que você não consegue tirar os olhos dela e só a câmera do celular não transmite aquele sentimento todo que você sentiu quando olhou para a lua.

Queria que meus olhos fotografassem para poder guardar meus momentos com o meu cachorro, nunca consigo uma foto boa dele, sempre que ele vê a câmera ele para de fazer a coisa bonitinha que estava fazendo e deita pra dormir. Queria que meus olhos tivessem fotografado meu ultimo momento com meu avô. Aliás, com meus dois avôs.

Também queria que fotografassem o jeito que aquele garoto do sorriso lindo me olhava, assim eu iria poder esfregar na cara dele esse momento quando ele me dissesse “Mas eu não fiz nada pra te iludir”. Poderiam fotografar o momento que eu segurei pela primeira vez o primeiro filho da minha melhor amiga

Queria fotografar todas as expressões das pessoas, assim eu iria saber se elas estão bravas, alegres, com raiva, se acabaram de receber uma notícia ruim ou uma boa, se tiveram um dia bom no trabalho, aquela cara de alívio quando chega em casa e tira o sapato apertado. O jeito que uma pessoa apaixonada olha para a sua paixão, para o amor da sua vida.  Se eu pudesse, fotografava com meus olhos cada raio de luz do Sol que atravessasse as folhas das árvores, cada raio que passasse por entre os prédios. Cada um diferente do outro, com uma sensação diferente da outra. Uns mais quentes outros mais frios, mais fortes ou mais fracos. Assim como cada momento da vida, uma vida diferente da outra, uma sensação diferente da outra. Umas mais quentes outras mais frias, umas mais fortes outras mais fracas.

Queria fotografar com meus olhos cada um desses momentos que na maioria das vezes apenas uma câmera não é o suficiente.

Apenas queria que os meus olhos fotografassem.

ASSINATURA2

Dear Diary – It’s okay to grow up

Mesmo que muita gente fale que crescer é uma bosta, que virar adulto é uma bosta, eu acho o contrário. Lógico que tem seus prós e contras, como não ser mais carregada no colo do sofá até o quarto ou não poder ir mais naquele brinquedo que você acha super legal, mas é grande demais pra entrar nele.

Lembro que sempre que eu ia em um aniversário de um primo(a), ou qualquer outro amiguinho, eu sempre ia naquele “brinquedão”, que tem piscina de bolinha, escorregador, saco de pancadas, tudo numa coisa só. Uma das minhas primeiras lembranças da minha infância, foi num desses, estava com a minha madrinha num aniversário, não lembro de quem era, eu deveria ter dois ou três anos, e eu estava muito apertada pra fazer xixi, e eu não conseguia achar a saída do brinquedo… Acho que já dá pra imaginar o que aconteceu. Sinto muita falta de poder brincar nesses brinquedos infantis, não sei por que. Mas agora eu posso ir em montanha-russa e castelo do terror, então está tudo bem.

Viu? Tem vantagens em não ser mais criança.

Também lembro que todos me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse. Na maioria das vezes eu respondia que queria ser veterinária. Agora eu sei que não vou ser isso porque não consigo ver um animal machucado sem entrar em desespero. Também respondia que queria ser modelo. Depois de muitas e muitas tentativas, descobri que também não sirvo pra isso. Já tinha até pensado em ser médica, mas odeio hospitais.

Conforme eu fui crescendo, eu percebi que tudo que eu queria ser era por causa de um filme, queria ser modelo por causa da Barbie, mas vamos combinar que isso realmente não iria dar certo. Fui crescendo e fui aprendendo que o mundo não era do jeito que eu via nos filmes infantis e que o príncipe encantado não iria aparecer num cavalo branco e me dar um beijo que salvaria a minha vida. Aprendi que eu mesma tenho que salvar a minha vida e mais ninguém.

Quem disse que não caibo no colo da minha mãe? Quem disse que eu não posso assistir filmes da Disney mesmo tendo 20 anos? Quem disse que eu tenho que ser o que os outros queiram que eu seja? Quem disse?

Depois de crescer você percebe que está sozinha em algumas situações, mas você também já se sentiu sozinha na infância, não é? Você dava o seu jeito de fazer uma tarde chuvosa sem poder sair de casa pra brincar, uma coisa divertida, montava uma barraca com lençóis no quarto e fingia que tinha a própria casa. Agora a única diferença é que a sua casa não é mais feita de lençol e você dá graças a Deus por isso.

Está tudo bem em crescer e ter responsabilidades, você pode até não lembrar, mas quando criança também tinha responsabilidades. Acordar cedo pra ir pra escola virou acordar cedo pra ir trabalhar, dar comida para o cachorro (ou o pexinho) virou dar comida para os filhos (no meu caso, continua sendo o cachorro).

Posso não ter muita experiência de vida, mas já vivi muito e aprendi muito. Na maioria das vezes eu me joguei e cai de cara no chão, mas quando criança isso também aconteceu quando eu quis pular de um sofá para o outro.

O que eu estou querendo dizer com tudo isso é que: você pode ser o que quiser agora, pode fazer o que quiser (contanto que não faça mal a outras pessoas, ok?). Agora você realmente tem a liberdade de ser o que você sempre quis ser, fazer o que sempre sonhou em fazer, porque tem muitas coisas que crianças não podem fazer, mas adultos podem. E isso é bom? É maravilhoso. Você pode ir a qualquer lugar porque agora, você não depende mais dos seus pais pra te levar ou buscar. Você pode viajar, rodar o mundo todinho sozinha se quiser.

Está tudo bem em crescer e ser quem você é, está tudo bem em crescer e fazer oq eu você quer. Está tudo bem em crescer.

ASSINATURA

Dear Diary – Sinto muito

Sinto muito, mas esse é o meu problema, eu sinto muito. Sempre foi assim. Sinto o que não deveria sentir, por quem não deveria sentir. Sinto amor, sinto raiva, frustração… Felicidade. Quando eu estou feliz eu realmente estou feliz, quando estou triste eu realmente estou triste. Não existe meio termo em mim. Posso parecer neutra por fora, mas por dentro eu sinto muito.

Eu imagino muito. Esse também é um problema, imaginar demais. Coisas que não vão acontecer, coisas que aconteceram mas eu queria que fosse diferente, então eu imagino diferente. Coisas que talvez possam acontecer, então eu imagino e quando acontecem, essas coisas são totalmente diferentes e então eu sinto muito.

Penso muito, também. Minha mente nunca está em silêncio. Não sei se isso é uma coisa ruim ou uma coisa boa, mas eu penso muito. Penso em tudo quanto é coisa, penso em coisas e pessoas que não deveria pensar, pessoas que não merecem ser pensadas e pessoas que merecem ser pensadas. Coisas que não existem e coisas que deveriam existir. Às vezes penso no passado, mas a maioria do tempo penso no futuro. Não gosto de pensar na morte, isso me assusta. Mesmo sabendo que essa é a única certeza que eu tenho na minha vida cheia de indecisões: um dia irei morrer. Mas odeio pensar nisso, e quando penso já pulo pra algum outro pensamento ou penso em coelhinhos só pra essa sensação ruim sair de dentro de mim e eu parar de sentir tanto.

Deve ser esse um dos motivos de eu ter ansiedade, eu sinto muito. Vejo alguma coisa que me deixa feliz e lá vem a ansiedade, tem alguma coisa muito importante no dia seguinte, lá vem a ansiedade, imagino demais, crio demais e lá vem a ansiedade. Queria parar de sentir muito, de pensar muito, de imaginar muito, mas só de pensar em parar de sentir, lá vem a ansiedade. Então eu sinto muito, imagino muito, crio muito e lá vem a ansiedade.

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Dear Diary: Ele não está tão afim de você.

Eu já deveria saber. Estava na cara esse tempo todo. Até quando ele dizia “Mas eu gosto de você pra caralho” dava para perceber que no fundo, ele não gostava de mim pra caralho. Ele estava comigo, mas não parava de falar da outra. Fui tão burra ao ponto de ajuda-lo a causar ciumes nela e depois exigir que ele só tivesse tempo pra mim. Continuar lendo